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Notícias 2/1/2019 23:48:46 » Por Augusto do Jornal

O capitão chegou e a truculência voltou!

Já no primeiro dia do ano ficou claro que o presidente e seus próximos farão de tudo pra mostrar que não estão de brincadeira e o “bicho vai pegar”




Por Augusto do Jornal

Começou o governo de Jair Bolsonaro. Os detalhes da posse em Brasília e os primeiros discursos do agora presidente revelam o que vem por aí: população armada, combate à ideologia de gênero, ódio à esquerda que governou o país, e outras lambanças. De positivo, enfim, houve somente a saída de Michel Temer.

Com relação à Imprensa, o tratamento foi no mínimo desastroso. Aos órgãos que escrevem pautas positivas, o espaço para os jornalistas nos corredores da posse foi privilegiado. Aos demais profissionais, inclusive de outros países, uma sala isolada, sem cadeiras, sem estrutura para o trabalho, com água e banheiro limitados. Houve até a recomendação de que não podiam levar uma maçã inteira para se alimentar, deveria vir cortada, para evitar a ameaça de algum jornalista (de oposição) atirar a fruta na cabeça do presidente. Os alimentos também só poderiam ser colocados em sacolas transparentes. Ridículo!

E esses sinais do primeiro dia do ano, com o exagerado esquema de segurança montado – 6 mil militares – apontam que teremos um governo trapalhão no Brasil. Não tenham dúvidas! E o que não vai faltar são motivos para estimular o riso dos brasileiros, por nervoso ou por desforra, como bem definiu a professora de direito Luciana Grassano Melo, da Universidade Federal de Pernambuco, em recente artigo.

Na área da Segurança, a proposta de campanha para liberar o direito da posse de armas para a população deverá ser apresentada nos primeiros dias. O clichê “bandido bom é bandido morto” ganhará força nas ruas, como se as armas garantissem a diminuição da violência. Na verdade, a definição do que é ser bandido continuará deturpada, num país racista, onde jovens negros são os que mais morrem. Especialistas orientam que a diminuição da violência está diretamente relacionada ao aumento da Educação e da Igualdade Social. Mas para Jair Bolsonaro e seus asseclas é mais fácil armar o povo.

A incoerência do presidente é tamanha que prometeu durante a posse combater a ideologia de gênero, mas, no mesmo dia, reafirmou “o compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão”. Sabemos que a maioria de seus eleitores em conjunto com as bancadas que o apoiam no Congresso possuem raízes conservadoras, grande parte está ligada às igrejas evangélicas. O preconceito contra outras opções sexuais, fora do tradicional homem e mulher, é a marca dessa gente. Existem até bolsominions que acreditam que homossexualismo é doença, tem cura na igreja da esquina. Daí, as agressões a lésbicas, gays, travestis e outros do gênero encontrarão respaldo e incentivo do governo.

E o ódio de Bolsonaro cresce mais quando o assunto é socialismo e os partidos de esquerda, especialmente o PT. Durante a posse, ele disse que vai “libertar o Brasil da submissão ideológica”. E terminou com a bandeira brasileira em mãos, enalteceu o verde-amarelo, com a promessa de que a bandeira nunca se tornará vermelha.

Já no primeiro dia do ano ficou claro que o presidente e seus próximos farão de tudo pra mostrar que não estão de brincadeira e o “bicho vai pegar”. Quem ouve e gosta da retórica do chamado Mito parece convencido de que os tempos são outros e a corrupção atribuída somente ao PT está extinta no país pelas mãos do PSL e companhia.

Na prática, Jair Bolsonaro, seus 22 ministros e a base parlamentar precisarão trabalhar com seriedade e competência para realmente melhorar as condições de vida dos brasileiros. Só o desemprego soma atualmente 12 milhões e 200 mil pessoas.

E pelas atitudes, propostas e discursos no primeiro dia do ano, não acredito que o governo dará certo. A truculência dos anos de chumbo está de volta ao país pelas mãos do ex-Capitão do Exército.

A luta faz a lei! É preciso resistir, resistir, resistir...

José Augustinho dos Santos, o Augusto do Jornal, é presidente do SEECMATESP, 2º vice-presidente da FETHESP e diretor nacional de Finanças da CGTB


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