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Notícias 14/12/2018 14:3:3 » Por Augusto do Jornal

Bomba! Depósitos na conta da esposa de Bolsonaro estão mal explicados

São movimentações atípicas que geram suspeita de Caixa 2, de favorecimento ilícito a pessoas próximas, inclusive da esposa de Jair Bolsonaro




Por Augusto do Jornal

Os paladinos da honestidade ligados a Jair Bolsonaro certamente perderam o sono nos últimos dias. A informação divulgada pelo COAF estourou feito uma bomba no colo da família do presidente eleito e de pessoas mais próximas. Até a esposa, Michelle Bolsonaro, segundo o órgão federal que fiscaliza operações financeiras, recebeu cheques no valor total de R$ 24 mil depositados por Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar, segurança e motorista de um dos filhos do presidente, Flávio Bolsonaro, eleito senador. As movimentações suspeitas levantadas neste caso pelo COAF somam R$ 1,2 milhão nas contas de Queiroz num período  de um ano, em 2016, época em que Flávio ocupava o cargo de deputado estadual no Rio de Janeiro.

Em defesa da mulher, o futuro presidente disse que os cheques nominais a ela estavam relacionados ao pagamento de empréstimo do próprio Jair Bolsonaro ao assessor Queiroz, e os depósitos a favor de Michelle ocorreram somente pela falta de tempo (dele, o presidente) em ir a alguma agência bancária. Será?

O fato é que a confusão está armada em Brasília, paralelamente ao trabalho de transição das equipes dos governos Temer e Bolsonaro, antes da posse presidencial em 1º de janeiro. O “diz que me diz” envolveu até Onyx Lorenzoni, indicado para ser o ministro da Casa Civil, totalmente despreparado numa entrevista na semana passada, onde bateu boca com jornalistas ao ser questionado sobre as informações divulgadas pelo COAF e deixou ainda mais dúvidas no ar ao sair do local sem dar respostas objetivas a respeito do tal milhão de reais.

E tem mais: sete assessores de Flávio Bolsonaro que trabalhavam no mesmo gabinete colocaram dinheiro na conta investigada mantida por Queiroz. Ou seja, são movimentações atípicas que geram suspeita de Caixa 2, de favorecimento ilícito a pessoas próximas, inclusive da esposa de Jair Bolsonaro. Bem diferente da prática do PT no passado, que institucionalizou uma espécie de dízimo entre seus parlamentares eleitos para o custeio de despesas do próprio partido.

O que os eleitores e os mais próximos do presidente eleito não esperavam era tamanho escândalo muito cedo, a pouco menos de um mês para a posse. E o que é pior: as explicações são confusas, não convencem quase ninguém. Falar que não teve tempo de ir ao banco, por isso pediu pra depositar na conta da mulher, é subestimar a inteligência das pessoas.

O presidente Bolsonaro precisa entender que agora ele não é mais um simples deputado do baixo clero, como viveu 28 anos na Câmara Federal, sem nenhum prestígio, na obscuridade, quase apenas votando “sim” ou “não”. Nas poucas vezes em que teve holofote da mídia, ele, “o mito” como dizem seus apaixonados militantes, disparou ofensas, causou desconforto, a exemplo do caso da agressão verbal à deputada federal do PT, Maria do Rosário.

A campanha eleitoral ficou pra trás. Era muito fácil bater no PT por conta das investigações da Lava Jato, manipular dados em fake news, disparar whatsapps e fugir dos debates. Tudo isso pensado para se chegar aos mais de 57 milhões de votos no segundo turno. Agora, bolsominions, a vida é dura. Quem ganha eleição presidencial vira vidraça, tem de deixar as pedras para a oposição.

E não adianta se esconder ou não dar explicações convincentes. Afinal de contas, o que existe de verdadeiro nessa história do motorista Fabrício Queiroz com o clã Bolsonaro? É preciso investigar. Estamos de olho!

José Augustinho dos Santos, o Augusto do Jornal, é presidente do SEECMATESP, 2º vice-presidente da FETHESP e diretor nacional de Finanças da CGTB


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